4 nov 2011, 11h50

A MÃO DIREITA E A MÃO ESQUERDA

Certa vez meu pai me disse o seguinte: “o que a mão direita faz, a esquerda não precisa saber“.

Não lembro quantos anos tinha. Mas a frase me marcou.

Não sei se ele teve a intenção, ou se falou só por falar. Mas, a verdade é que aquelas poucas palavras me deram um insight. E desde então, guio minha vida mais ou menos por elas.

Existe uma diferença enorme entre fazer e alardear.

Há pessoas que falam. Outras que são.

Há pessoas que dizem. Outras que realizam.

Existe aquele que ajoelha e reza. E aquele que levanta e trabalha.

Gosto de pensar que sou do segundo grupo.

O que você faz de bom como ser humano, não precisa ser dito. Contado. A verdadeira bondade, a boa ação, ela só existe como essencialmente boa e desprendida, se for anônima. É no que eu acredito.

Não acredito em notórios benfeitores – acredito em benfeitores anônimos.

Aquelas pessoas engajadas,  que publicamente anunciam qualquer pequena boa ação que façam, que fingem se preocupar, que fingem ser  solidárias, que fingem compaixão, que se pavoneiam com o ato de ser bom – não confio nelas.

Pra mim são como as que são devotas, que pregam a fé, mas que no dia a dia, no real, no prático, são seres humanos horríveis com quem está em volta. Prefiro ser um ser humano “horrível”, que não reza nada, mas que pratica.

Não é necessário que se saiba que você ajuda tal entidade. Que você voluntaria. Que você apóia. Que se doa.

Tira a alma do negócio, se vira público.

Eu desconfio. Desconfio dos notoriamente bons. Dos notoriamente conscientes, preocupados.

Prefiro os imperfeitos. Os que erram. Que fazem cagadas. Mas que quando são bons, são verdadeiramente bons. Não como escada para se promoverem.

Acho que essa é a chave do crescimento humano – erre em público. Acerte em privado.

Pense nos seus conhecidos, por exemplo.

Existem aqueles que parecem abelhas zumbindo: alardeiam sua amizade, fazem declarações de companheirismo vazias, espalham seu apoio e amor a você aos quatro ventos. Parecem pessoas ótimas. Bons parceiros de farra, esses.

Mas eles somem nas horas que você mais  precisa. Que realmente  importam.

E existem os silenciosos. Aqueles que não te ligam todo dia. Que não te mandam mil recadinhos. Que não fazem grandes declarações. Que podem até não concordar com você o tempo todo.

Mas que são os que estão presentes nos momentos que você precisa. E às vezes nem sabe que precisa.

Qual desses dois tipos de pessoa você prefere? Bom, eu certamente fico zonza com o zumbido constante das abelhas… e suas declarações e demonstrações exageradas.

Não se engane com as pessoas absolutamente boas – elas não existem. Pessoas boas são como “ouro de tolo”. Nem Ghandi era totalmente bom. Nem Madre Teresa de Calcutá. Se você é humano, pressupõe-se  que você erra. Que você faz escolhas ruins.

E tudo bem. O importante é se perdoar, e seguir em frente. Como numa partida de algum jogo – você perde uma vez, ganha outra… e fica na esperança de ganhar mais vezes do que perde.

Novamente – cuidado com as pessoas “boas”.

Há pessoas que são boas de formas diferentes: são bons amigos, mas não são bons pais. São bons pais, mas são péssimos maridos. E assim vai. O importante é trabalhar sileciosamente nas partes boas. E declarar e tentar consertar em público as partes não tão boas assim.

É isso que tem valor.

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Comentários

  1. Aime Chiquini disse:

    excelente!!!!!
    conheço tanta gente que fica posando de boazinha, mas q esconde uma índole feia, horrível!

  2. Maela disse:

    Tem uma certa diferença entre contar e se exibir

    Ex. : Quando você ajudou o pessoal da serra, você contou. Contou porque estava feliz, não porque queria créditos por ajudar alguém.

    Dar show é quando a pessoa quer ser reconhecida, ou notada, pela caridade.

    Uma vez meu avô me disse que a casa onde eu morava era um presente para mim e meu irmão.

    Me deixou feliz, pois meu avô estava preocupado com nosso futuro.

    Meu outro avô, um tempo depois me disse : seu irmão só não foi atropelado naquela rua movimentada, porque graças a mim vocês tem um muro.

  3. Duda disse:

    Meu pai sempre falava isso tb e eu prokurei levar pra vida..

  4. Taci disse:

    Já eu gosto de ver alardeada as boas ações. Não quando se faz com o intuito de receber honras ou mérito por isso, mas quando se faz pra que se chame atenção para aquele problema. A gente já ouve tanto quem matou, quem fez mal, que é bom quando alguém chega e diz, olha aqui eu tô fazendo isso de bom, tem gente aqui precisando e vc pode fazer também. Eu gosto de pessoas agregadoras assim.

  5. ElisA disse:

    Espalhafatar não tá com nada mesmo. Concordo.
    Ia só deixar assim, mas li o coment da Maela e concordei mais. Creio tb q existe essa diferença. De certa forma, eu meio q ajo assim (ahá! vestiu a carapuça, neán?rsrs). Mas (vou contar!,rs) é q sou voluntária num programa de adoção de animais e, vez ou outra, ao fazer a divulgação das feiras de adoção, me lanço como voluntária, não para ‘promover a bondade’ ou qq coisa q o valha, mas mais para ver se alguém se anima, pq, afinal, precisamos sempre de mais ajuda. Bom, fato é q até agora ng me procurou por isso…

  6. Bia Maia disse:

    Ah gente, antes fazer pra se exibir do que não fazer nada. É chato, é irritante, dá vontade de dar na cara da pessoa, mas eu continuo achando que é melhor que nada!

  7. Camille disse:

    Incrível post Elise ! Penso exatamente igual !

  8. Marco Túlio disse:

    Essa frase sobre a “mão esquerda e direita” é originalmente creditada a Jesus.

  9. Bianca disse:

    Gostei muito do post Elisa ainda mais porque estou presenciando uma situação dessas pessoas “boazinhas que pregam a fé” serem horríveis com as pessoas

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