15 abr 2015, 11h15

O QUE TE INSPIRA?

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1- Focinhos.

(Ginger says ‘Hi’ :) )

 

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14 abr 2015, 13h09

CLUBE DE LEITURA – ENCONTRO DO MÊS

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E vamos ao encontro de leitura de abril! Outono, pá, pensamos em fazer algo diferente. Aproveitar o fresco e os dias bonitos ao ar livre e sair um pouquinho da nossa tradicional livraria (não temam, voltaremos em breve).

Então pensamos em fazer o encontro em um PIQUENIQUE - que tal?

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CLUBE DE LEITURA – ENCONTRO

DIA 21 DE ABRIL, àS 10H, LAGOA RODRIGO DE FREITAS – PONTO DE ENCONTRO, EM FRENTE AO PARQUE DA CATACUMBA.

Resolvemos fazer o encontro um pouco mais cedo dessa vez, para aproveitar melhor a Lagoa (e pegar um bom lugar). Também resolvemos aproveitar o feriado da terça-feira.

LEVEM cangas ou toalhas, para sentarmos na grama. Como lá não é um café, levem também comes e bebes (sugiro sanduíches, pãezinhos, frutas, água etc.)

Além do encontro, pensamos também em fazer uma TROCA DE LIVROS, como se fosse uma limpeza de outono em nossas prateleiras. Às vezes queremos espaço para novos livros, ou que outras pessoas leiam livros que amamos (ou simplesmente é a chance de alguém gostar de um livro que você não leu ou não curtiu) – então levem todos os livros que não querem mais ou gostariam que circulasse. A troca será livre.

Quem ainda não leu o livro do mês, corre que uma semana ainda dá tempo!

E depois acompanha aqui nosso áudio do encontro e o post falando sobre ele.

Valendo?

 

9 abr 2015, 10h14

SOBRE SE TORNAR QUEM VOCÊ É

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UMA VEZ vi uma frase/biografia de um amigo (não me lembro se foi no Twitter ou no falecido Orkut), onde a pessoa se definia como “Work in progress”. Na época achei a frase genial e fiquei até com raivinha de não ter pensado nela antes. E ela sempre esteve na minha cabeça, depois disso; ali, no background.

Ser a gente dá trabalho. Sermos nós mesmos exige um processo de ajuste constante. E hoje em dia desconfio seriamente que grande parte do nosso vazio interior, das nossas angústias e ansiedades, das nossas insatisfações, venham da falta de coerência entre o que desejamos ser, o que deveríamos ser e o que somos de fato. Essa inadequação de imagem própria nos faz sofrer.

Mas o ajuste é fino, cansativo. Precisa de realinhamento constante. Precisa que de tempos em tempos nos avaliemos. Façamos mais alguma pequena coisa para aproximar nosso eu real do nosso eu interior. Work in progess. Por isso vemos tantos velhinhos de repente fazendo “loucuras” (pulando de asa delta, fazendo uma tatuagem). Não acho que seja loucura, de forma alguma. Nem vontade de recuperar tempo perdido ou viver o que não viveu. Nada me tira da cabeça que essas pessoas se abandonaram, ao longo dos anos, e deixaram sua imagem externa cair no comodismo e ficaram muito diferente de quem eles realmente são por dentro. Para mim é só uma vontade de voltar aos trilhos.

A auto-imagem pode ser composta de coisas complexas (que habilidades você tem; que diretrizes de caráter segue) e coisas absolutamente (e deliciosamente) materiais (qual sapato é sua marca registrada, qual bebida prefere). Essas peculiaridades são essenciais para a nossa formação de identidade.

Então, de tempos em tempos, gosto de fazer um exercício comigo mesma. Faço uma lista. Existe um estudo que comprova que 89% das pessoas precisam de listas para realizar as coisas. Mentira; não existe estudo nenhum (risos). É que as pessoas adoram dados concretos para apoiar coisas que elas instintivamente sabem que funcionam. Uma lista é uma diretriz – te ajuda a organizar os pensamentos e definir uma meta. Se depois você nem concretiza todos os itens da lista, não importa. Importa que você mentalmente colocou aquilo na ordem do dia, sacou? Se está na sua mente, mais chance de estar em suas ações.

Então vamos fazer uma lista. Proponho que você pare 5 minutos do seu dia e pense nas coisas que estão faltando para que você seja mais você. É como olhar no armário e dizer “nada do que fui me veste mais”. O que você precisa agora? Para se ver mais como você? Podem ser coisas bobíssima (a beleza de tudo está nos detalhes) e materiais, como “preciso de uma xícara nova, preta”, ou podem ser coisas complexas como “preciso fazer mais caridade”.

Vou fazer a minha de hoje (que está pequena e será definitivamente diferente na semana que vem. Tudo bem, essa é a graça do ser humano – constante mudança. Work in progress, lembra?). Eu preciso de:

- um robe de seda para andar pela casa e longas camisolas elegantes (me sinto tão NÃO eu dormindo com qualquer pijama, como durmo!);

- uma tatuagem nova (tem duas coisas que PRECISO ver escritas na minha pele, para me sentir eu mesma. E como ando dura, estou quase escrevendo de canetinha mesmo (risos));

- estudar mais francês (cada vez que leio alguma matéria em francês e perco grande parte do seu sentido, sinto que não sou eu ali. A Elise da minha mente fala francês lindamente).

Pronto para a sua lista? Pode colocar aí nos comentários se quiser (deixar os outros participarem dá um peso às nossas decisões), ou escrever em uma folha de papel bacana e colocar à vista – na geladeira, na cortiça do escritório… escreva na testa, não me importo. Só VEJA A LISTA.

E boa sorte virando borboleta, lagarta ;)

 

6 abr 2015, 12h28

COTOCO E A ARTE DE PEDIR

Conexões. Coisas se encaixando. Às vezes nosso momento parece atrair um certo padrão de coisas , já reparou? E isso funciona para o lado bom e o lado nem tanto. Mas dessa vez as coisas se conectaram de forma linda.

São duas histórias paralelas, que no final acabaram por colidir: um livro que mudou minha cabeça e um cãozinho de três patas. Parece doido – e é.

A história do cãozinho começou antes. Uma amiga querida (e “parceira no crime”) do Clube de Leitura, a Adri, resgatou da rua um filhote cuja patinha traseira tinha sido parcialmente comida por bichos (sabe aquelas bernes? Ecoti). Ela salvou o bebê num impulso altruísta, dominada pela emoção, tirou-o da rua, cuidou e alimentou ele e levou-o ao veterinário, mas não poderia ficar com ele. O veterinário a alertou que a pata precisaria ser toda amputada. E agora? Conseguir adoção para um filhote vira-latas já era difícil, imagina um com necessidades especiais? Nós, eu e o resto da nossa unida gang de livros, demos ao baby o nome de COTOCO (apropriado, não?) e nos oferecemos para ajudar tanto no processo de adoção, quanto no rateio da grana que ela gastou (isso ela não queria, mas a cirurgia do bebê seria uma fortuna, e não me parecia justo que ela acabasse penalizada depois de um ato tão bonito de desprendimento). Confiei que o universo iria conspirar e que as pessoas iriam ajudar (embora naquele momento eu não fizesse ideia de que seria tanto).

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No dia em que publiquei em meu Facebook pessoal um apelo contando a história, PEDI AJUDA. Sem pensar, sem dar tempo pra vergonha, o embaraço, o medo e a insegurança me brecarem. Simplesmente vomitei tudo e pedi – me ajudem. Preciso de um lar pra esse filhote. Preciso ajudar minha amiga. Preciso conseguir grana para que ela pague as custas de tratamento.

E foi no mesmo dia em que ganhei o livro A ARTE DE PEDIR, da Amanda Palmer. Para quem não a conhece, Amanda é musicista, artista performática, casada com meu amado escritor Neil Gaiman e… doidinha. Despudorada, feminista, exagerada, meio narcisista e até meio bizarra, às vezes. Sempre tive curiosidade sobre ela, por ser tão excêntrica, e mais ainda depois que assisti a um TEDtalk dela, onde ela fala sobre… a arte de pedir. Ela conta como começou como artista de rua, aberta a ser amada e repudiada, como aprendeu a confiar em seu público ao longo dos anos, e que existe gente ruim e crítica no mundo sim, mas que existe muita gente solidária, querendo ajudar. E como ela acredita que a vida e a arte são uma troca. Fiquei curiosa. O livro dela era sobre isso.

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Ao longo do dia em questão, duas coisas aconteciam em paralelo – eu lia o livro, onde Amanda insistia “confie nas pessoas. PEÇA” e uma multidão de gente compartilhava meu post, perguntava sobre Cotoco, pedia o número da conta para depositar dinheiro ou simplesmente curtia. Todos ajudavam como podiam. Parecia que as pessoas validavam exatamente aquilo que eu estava lendo. Era como se alguma coisa cósmica me dissesse “viu? Esse é o caminho“.

Eu podia ter escrito o apelo e não ter sido atendida? Podia. Podia simplesmente ter sido ignorada, podia ter acontecido nada, no final. Mas não é isso que deve nos impedir. A gente não pode focar nas milhares de pessoas que não nos atendem, não nos ligam, não nos ajudam, ou nos ignoram – a gente tem que focar NAQUELE UM que se importou. Naquele que ajudou. Porque aquele um vai ser você um dia – é uma troca. Vai chegar sua vez de ajudar também. E as pessoas invariavelmente vão te surpreender (como eu me surpreendi com a repercussão positiva do caso do filhote)

Se eu teria amado tanto o livro quanto amei, se meu momento não fosse esse? Não sei. Sei que talvez alguns leiam o livro e só enxerguem a biografia. Só vejam a egotrip (qual história pessoal não é uma egotrip?). Mas eu vi, eu li, uma mensagem forte de abnegação. Uma fé inabalável no ser humano.

Então recomendo o livro como há muito não tenho recomendado nenhum.

Sobre o Cotoco – até o momento em que esse post foi ao ar, já arrecadamos uma parte do dinheiro para pagar os custos da cirurgia. Perdi as contas de quantas pessoas compartilharam e curtiram a postagem.

E Cotoco foi adotado.

PS: se alguém quiser assistir ao TED dela, esse é o LINK

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31 mar 2015, 11h22

TRILHA DO LIVRO (BOOKS MIXTAPE 1)

Peeps, resolvi fazer uma pequenina TRILHA SONORA para a gente ouvir de fundo (baixinho) enquanto lê o livro do mês do Clube de Leitura (Operação Perfeito).

Como o livro aparentemente começa falando sobre o menino, nos anos 70, e depois passa para o homem com problemas nos tempos atuais, ela progride de algo bem leve e jovial a algo mais denso e melancólico. E tudo relacionado à relação do tempo. Ainda não li o livro, então não tenho como saber se a trilha casa perfeitamente.
Vamos ler ouvindo e depois conversamos se combinou ou não, o que acham?

BOOKS MIXTAPE 1

BOOKS MIXTAPE 1 by Elise Machado on Grooveshark

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25 mar 2015, 17h25

CLUBE DE LEITURA – LIVRO DO MÊS

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Depois de fazer uma pequena enquete com minhas “minions” (risos), chegou-se ao livro que leremos esse mês.

A ideia é que, depois de Objetos Cortantes, viesse um livro mais leve, se possível até feliz (pra ajudar a tirar o gosto amargo da boca). Então escolhemos esse:

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“Em uma manhã nebulosa de 1972, a vida de Byron Hemming, de 12 anos, muda de repente. Tudo acontece em menos de dois segundos, quando ele e a mãe se envolvem em um acidente de carro. Embora o garoto tenha certeza de que o acidente aconteceu, sua mãe age como se nada tivesse acontecido.

Nos dias e nas semanas seguintes, Byron embarca em uma jornada para descobrir o que realmente houve naquela manhã que mudou sua vida. Junto com o amigo James, ele cria a Operação Perfeito, um conjunto de planos para tentar resolver a situação.

Operação Perfeito é uma história comovente sobre um segredo, um erro terrível e a natureza destrutiva da perfeição”.

Promissor, o que acham?

Tenho que admitir (novamente) que fui fisgada pela capa de novo (que vergonha). Mas o que eu posso fazer? A gente lê com os olhos, então não vejo nada de errado em agradar aos olhos antes da leitura.

Teremos até meados de abril para ler, quando faremos encontro e post aqui (com direito a gravação do áudio. Prometo providenciar um gravador melhor). Quero todo mundo comentando sobre o livro, hein! Vamos dominar o mundo, um livro de cada vez.

Vamos? 1, 2, 3… valendo!

 

 

 

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23 mar 2015, 11h01

CLUBE DE LEITURA – ENCONTRO

Antes de você começar a ouvir o áudio (se é que vai ouvir), uns esclarecimentos: dessa vez cagamos tudo (risos). O microfone estava longe das pessoas e o barulho de fundo da cafeteria estava alto. Ou seja: além de falarmos todos juntos, como sempre, tem horas em que não se ouve ninguém.

Dito isso, DIVIRTA-SE, porque o pouco que dá pra ouvir está engraçado.

Como dessa vez o áudio está essa pérola (se alguém souber como fazer gravação profissa, pode dar a dica nos comentários), vou fazer um post maior, contando como foi. Senta que lá vem história!

 

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Todos a postos, começamos pelo primeiro escolhido, O Livro dos Mil Dias.

(só faltou Letícia, que chegou depois e nunca aparece nas fotos! rs)

O livro foi bem aceito, só teve uma leitora que deu ZERO pro livro e detestou (mas ela não gosta de contos de fadas, então não vale! hahaha). Minha nota foi 8, mas eu sou mega generosa sempre, então as notas variaram desde 6, sendo a média 7. Eu achei que o livro é lindo e perfeito ao que se propõe – um conto de fadas. Tem o arco do crescimento da personagem principal (Dashti) bem bonitinho e bem feito, tem a recompensa no final e o final feliz, tem o príncipe, que é herói e nada anti-herói (tenho fraqueza por heróis de verdade; nunca fui apaixonada por anti-heróis, salvo raras exceções). Tem a personagem que se redime (a Lady, que pela metade do livro eu estava querendo estrangular), o malvado que é malvado MESMO, a intriga na corte… ou seja, um livro “redondo”, bem amarrado.

Eu curti muito a personagem da Dashti, porque diferente de alguns contos de fadas, ela não é aquela boazinha panaca e altruísta beirando a vitimização – ela tem crises existenciais, perde a paciência, sofre de verdade quando está abrindo mão de alguma coisa. Ela autenticamente se esforça para melhorar sua situação, ver o lado bom. E sempre enfrenta tudo, mesmo se borrando de medo (a verdadeira coragem, como dizem no áudio, certo?). Alguns acharam o livro meio lento, mas eu li de “um gole” só e curti cada momento, não senti tédio algum.

E a capa foi unânime. Todos amaram a capa do livro. Prova de que os editores devem investir sempre em bons capistas e lettering, porque também se conquista leitores assim.

Aí passamos para Objetos Cortantes, e o clima esquentou! (no bom sentido)

A média de notas aumentou bastante: continuamos tendo 7, mas também tivemos um 10 (o que é raro!). Minha nota foi 8,5 e eu realmente gostei do livro. Não, ele não é Garota Exemplar, mas tudo bem. Desde o começo não encarei o livro como um daqueles suspenses do tipo “quem é o culpado?”, então desencanei de ficar tentando adivinhar o assassino (coisa que faço sempre). Estava mais interessada na história da Camille e da sua família doida. O que achei incrível da autora (pelo menos nesse livro), é como ela torna os personagens críveis: eu literalmente CONHEÇO alguns daqueles doidos, rs. E o mais legal é que ela te faz entender, dica a dica, o processo mental de cada um, seus motivos. Não fica ponta de fora, com você se perguntando porque tal pessoa é assim ou assado e porque fez tal coisa. Todos os personagens são complexos e densos e coerentes.

A mãe, Adora, é uma personagem fascinante. Eu leria um livro só dela; desejosa de atenção, com suas máscaras sociais e sua crueldade dissimulada. Sua co-dependência das filhas, sua recusa a aceitar qualquer “feiura” real ou realidade que não estivesse manipulando. Fantástica. E Camille, se mutilando, sentindo as palavras na carne? Eu me identifiquei com ela – não, não me corto e não me cortaria. Mas entendo perfeitamente porque ela o faz e seus motivos – o desespero e angústia que parecem sufocar e precisam sair de alguma forma de dentro dela, nem que seja através da dor física. O alívio de controlar a própria dor, a marcação no corpo das palavras que a perseguem. A carência afetiva dolorida. Achei fabuloso. Triste e pesado e doentio, mas fabuloso.

Todos ficaram também malucos com o detalhe dos dentes no piso do quarto. Outros não se conformaram com o pai de “enfeite” e tão dependente que acabou por ir morar ao lado do presídio. Alguns sabiam que o culpado era a garota desde o começo, outros acharam que era a mãe. Teve quem achasse que pudesse ser a avó falecida (Joya). Amma, adolescente igualmente doida por afeto e manipuladora, também em voga na mídia, como ouvimos casos todos os dias (quem nunca sofreu bullying de uma Amma da vida que atire a primeira pedra).

Munchausen by proxy é uma doença séria, coisa que sempre existiu mas que não era tão divulgada. Crianças morriam e nunca se desconfiava dos pais. Hoje temos casos bem documentados, e vira e mexe uma notícia no jornal (recentemente foi a mãe que envenenou o filho com sal para conseguir atenção no Facebook). No filme Sexto Sentido, a trama principal se desenrola em torno do fantasma da menina morta pela mãe (e ninguém desconfia dela), lembram? Auto-mutilação também é caso sério, mais comum do que se pensa e menos divulgado do que deveria. No filme A Secretária (muuuuito melhor do que 50 Tons de Cinza, para mim, rs), a personagem principal também se corta para lidar com a angústia e o vazio existencial, e se cura através de um relacionamento BDSM (acho fantástico).

Se alguém quiser saber mais sobre auto-mutilação, lembrei de uma notícia que li há tempos e uma ONG que se criou por conta de uma menina que cortava palavras de ódio no próprio braço: a To Write Love in Her Arms.

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O encontro foi fantástico; espero que todos que nos acompanham online tenham curtido os livros. Nós sempre temos em mente que estamos lá ao vivo, mas que vocês estão lá com a gente. Vou adorar quem quiser deixar seus comentários (mas super entendo quem lê e prefere ficar quietinho também). Ainda não escolhemos o próximo livro, mas já já ele sai.

Um obrigada especial para o pessoal da Livraria Argumento e o Café Severino do Leblon, que sempre recebem nossas bagunças com muito carinho e atenção.

E um agradecimento MAIS DO QUE ESPECIAL para a minha gang, meu coven, meus amigos que leem comigo (lá e aqui) – depois dos encontros e do post eu fico revigorada. Cheia de ideias relacionadas a livros, vontade de escrever mais, de divulgar a leitura e afins. E sempre que escrevo, imagino a cara de cada um e o que vão achar (mesmo alguns que não conheço pessoalmente, o que é mutcho lôco).

Vocês são e sempre vão ser minha inspiração.

Beijas, Elise.

 

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16 mar 2015, 17h14

QUANDO VOCÊ CHEGAR LÁ…

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A fila no céu andava vagarosamente. Nisso, escuta-se uma gritaria lá no fundo.

- Deixa eu passar! Deixa eu passar!

São Pedro suspirou. Ia ser um daqueles dias. Chega a moça em frente ao balcão esbaforida, vestindo roupas de ginástica.

- Dá licença, o senhor é o encarregado?

- Sim, minha filha. São Pedro, a seu dispor. Mas ainda não chegou a sua vez, por que você não espera na fi…

- Dá licença, seu Pedro, – interrompeu estridente – mas que lugar é esse e como eu vim parar aqui?

São Pedro, em sua infinita paciência, resolveu que seria mais fácil atender logo a alma.

- Minha filha, acalme-se. Aqui é o céu. Você faleceu repentinamente, por isso está confusa, mas vai ver que já já…

Ela levantou a mão, interrompendo o santo:

- Eu… eu morri? Tem certeza? Como assim, EU MORRI?

- Ué, todo mundo morre! Uma hora isso tinha que acontecer.

- Mas eu morri… como?

São Pedro abriu o caderno à sua frente.

- Pronto, estou vendo tudo aqui. Acidente de carro.

- Tem alguma coisa errada aí! – berrou ela, batendo no balcão. – Eu gastei uma fortuna comprando um carro seguro, gastei uma grana pagando um seguro caro, tenho um milhão de compromissos amanhã, isso não pode ter acontecido. Impossível!

- Estou vendo aqui que a senhora estava lendo mensagens no celular no momento do ocorrido – disse o santo um tanto austero.

- Lendo mensagem… claro! Quem é que não lê mensagem no trânsito? Eu posso PERFEITAMENTE ler mensagens e dirigir, oras! É pecado isso agora? Que absurdo isso. Quem é seu superior, hein? Quero falar com o gerente. Eu não morri, isso é um erro. Você sabe quem eu sou? Eu tenho um emprego essencial! Como a empresa vai andar sem mim?  Eu sou indispensável! Insubstituível! Arranjem outro pra morrer!

São Pedro fechou a cara.

- Moça, o chefe da seção sou eu. Eu mando aqui. Acima de mim, só o chefão. Mas ele está muito ocupado com a situação na Palestina no momento, pra vir falar com a senhora.

A mulher ficou calada um minuto, antes de explodir em um ataque de nervos.

- Isso é um ABSURDO! Eu não posso morrer assim! Eu malho todos os dias! Até no final de semana. Eu corro! Eu nunca comi açúcar na vida! Só como orgânico, sem gordura trans! EU TOMO SUCO DETOX!!

Dois anjos tiveram que vir conter a alma.

- Eu EXIJO não morrer! E todos os brigadeiros que eu deixei de comer nas festinhas? E o refrigerante, que eu cortei faz 10 anos? E as sobremesas que eu recusei? EU ACORDO CEDO NO FINAL DE SEMANA! Foi tudo em vão? Como vocês OUSAM me matar?? Eu vou viver MUITO!

Quando ela se acalmou, São Pedro resolveu falar:

- Me desculpe a senhora, mas onde é que tá escrito que você ia viver mais? Olha, que bom que a senhora teve uma vida saudável, parabéns, realmente, se não tivesse sido o acidente, estou vendo aqui que chegaria aos 79 anos e…

- 79???? SÓ ISSO???

- Ué, você achou que ia viver o quê? 50 anos a mais do que todo mundo? Ou pra sempre? A média são 80 anos, e isso para os sortudos. Se cuidar pode dar uma forcinha, fazer você envelhecer melhor, mas não é garantia de longevidade. Além dos acidentes, sabe como é, ainda tem doenças genéticas e…

- E os estudos? EU LI TODOS OS ESTUDOS SOBRE SER SAUDÁVEL E…

- Ah, os estudos! – e virando-se para Gabriel, que passava por ali: – Mais um com o discurso dos estudos. Bota o povo dos estudos na lista negra, porque eles estão nos dando muito trabalho!

A mulher não se conformava.

- EU VIVI UMA VIDA DE PRIVAÇÃO!! EU PASSEI VONTADE! EU FUI DISCIPLINADA! ERA PRA EU ENVELHECER LINDA E MAGRA! ERA PRA EU NÃO TER NENHUMA DOENÇA.

O santo esperou ela se acalmar.

- Já acabou? Sinto muito pela sua… perda. Mas a vida é assim: o tempo é limitado e não há garantias para ninguém, a não ser que vai acabar, de um jeito ou de outro. Cada um faz suas escolhas e aproveita o tempo como achar melhor. Você fez como quis. O depois é quando chegar aqui. Aí tudo fica pra trás.

A mulher soluçava. São Pedro suspirou:

- A senhora não quer saber do seu filho?

- Ah, é – disse ela fungando. Ela não tinha pensado no rebento até então. – Ele estava comigo no carro.

- Apesar da senhora só ter lembrado dele agora, sim, ele vai ficar bem. Ele sobreviveu.

- Mas como é que ele vai viver?

São Pedro adiantou algumas páginas do caderno e esclareceu:

- Estou vendo aqui que ele vai ficar ótimo. Vai continuar tudo como está. A babá vai continuar criando ele, como já vinha fazendo. Ele não vai nem sentir a diferença. E depois o seu marido vai se casar com ela mesmo, então vai ser como…

- O QUÊ? – gritou a mulher, ignorando a situação do filho. – Ele vai CASAR com aquela vagabunda?? Aquela.. aquela… suburbaninha sem classe? IMPOSSÍVEL! Aquela mulher se veste com roupinha de magazine! Não sabe nem passar um batom!

- Pelo que consta aqui no registro, ele e ela já estão tendo um caso. Sabe como é, quando a senhora está na academia ou trabalhando. Bom, ele vai responder por isso quando chegar aqui, no futuro, afinal, traição não é exatamente…

- Chega! Não quero saber mais de nada! Isso aqui não é o céu, é o inferno!

São Pedro deu um sorriso amarelo.

-Bom, agora a senhora pode, por favor, pegar seu uniforme de trabalho aqui ao lado e…

Ela o interrompeu novamente.

- Como é que é? Uniforme de trabalho? Endoideceu?

Ele pigarreou.

- Bom, a senhora vai ver que aí atrás, na fila, tem um monte de gente que morreu no acidente que a senhora provocou. A senhora vai trabalhar para eles para quitar a dívida.

Ela riu, pela primeira vez.

- “Quitar a dívida”. Essa tem graça. Eu não tenho dívida, meu bem!

- Olha, estou verificando aqui na sua caixa de créditos, mas ela está vazia. Se a senhora tivesse algum crédito para abater a dívida…

- Crédito? Que maluquice é essa, agora? Meu crédito é ótimo!

- Como eu disse: CRÉDITO ZERO. A senhora nunca fez nada de errado, é verdade… Mas também, o que fez de bom? Estou vendo aqui que a senhora nunca fez nada para ninguém. Nenhum serviço social, nenhum voluntariado… Nunca ajudou ninguém, nem a própria empregada. Nunca deu um prato de comida pra alguém com fome. Nunca se envolveu com a sua comunidade… Não influenciou positivamente a vida de ninguém…

Ela se alterou de novo.

- Esse registro está ERRADO! Eu sou MUITO solidária. Eu sempre compartilhei as causas sociais. Eu deixava o filho da empregada ir brincar lá em casa, uma vez por semana! Eu fui a todas as passeatas a favor do país!

- Olha, a gente até se diverte bastante com o Facebook aqui em cima, moça, mas dar “like” em post não figura exatamente mudar positivamente o mundo!

- Eu dava dinheiro pra igreja da minha sogra! Eu tinha até um amigo afro-descendente! E um outro gay, que absurdo é esse?! EU CONTRIBUÍA COM DINHEIRO PRO CRIANÇA ESPERANÇA!

Aí o santo achou demais. Ela não entenderia mesmo. Achou melhor suspender a passagem e enviá-la de volta para a Terra. Quem sabe numa outra vez, ela colocava as coisas em perspectiva. Quando comunicou-a do reenvio, ela só teve uma dúvida:

- Hum, será que posso escolher pra qual país voltar? Sabe como é, é que o Brasil anda tão demodê…

 

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13 mar 2015, 12h44

CLUBE DE LEITURA – ENCONTRO

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Sim! Sim! Sim!

Vai ter encontro! O ano começou devagar, eu sei, e vocês que já leram “O Livro dos Mil Dias” há tempos estão ansiosos – quando falaremos dele?

Finalmente temos data para o encontro:

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Aí você pensa – pôxa, passou tanto tempo, nem lembro direito do livro, já li um monte de coisa depois daquilo… então vamos fazer o seguinte: para manter o interesse, vamos ler ESSA SEMANA (sente a pressão) também o livro da Gillian Flynn, “Objetos Cortantes“. Por quê? Oras, pra dar mais emoção :)

Acontece que depois que assisti Garota Exemplar fiquei com vontade de ler esse. Será bom?

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Dia 21 nos encontramos, e na segunda, dia 23, teremos o post e o ÁUDIO do encontro aqui (sempre tosco e divertido), para que você sinta que esteve presente e possa colocar sua opinião sobre os livros nos comentários. Ah, vamos, você consegue – o livro nem é grande, você lê rapidinho e vai ser divertido falarmos de dois livros.

Depois eu venho contar aqui dos trocentos livros que ganhei (ei, foi meu aniversário dia 10, não se acanhe em me dar parabéns! rs), e que estou lendo.

Prontos? VALENDO!

 

 

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28 fev 2015, 12h46

E AÍ? VAI COMPARTILHAR?

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(foto: reprodução)

 

O rapaz estava sentado no metrô, próximo à porta. Eis que entra no vagão um senhor, e imediatamente o moço faz sinal para ele:

- O senhor quer sentar? – já fazendo menção de levantar.

- Ah, não, obrigado, meu filho. Não precisa.

O cara se mexeu incomodado no assento.

- Tem certeza? Pode sentar!

- Não, tudo bem mesmo.

Silêncio. O rapaz, inquieto, não se aguentou e virou-se pro senhorzinho de novo:

- Olha, acho melhor o senhor sentar.

O idoso começou a perder a paciência.

- Meu filho, não estou com vontade de sentar. Eu adoro andar e ficar de pé. Já passo uma parte enorme do dia sentado, está bem? E eu não vou demorar a descer. Pode ficar sentado sossegado e obrigado.

Silêncio por mais dois minutos.

- Então o senhor pode chegar mais para lá, por favor? – pediu o jovem, angustiado.

- Hein? Como assim?

- Chegar só um pouco para lá! Ficar longe de mim? – insistiu.

- Meu filho… você está bem? Eu não vou chegar pra lá nada, já vou descer daqui a pouco. Que conversa é essa? Tô te incomodando aqui?

- O senhor não está me incomodando. Mas sabe o que é, se alguém vir o senhor em pé do meu lado e eu sentado… bom, vai dar merda.

- Como é? – perguntou o velho, estupefato.

- Vai dar merda! Vai dar merda! – gritou o rapaz, nervoso. – Olha aí, todo mundo com celular na mão! Vai que alguém fotografa isso. Já tô até vendo! Vão dizer que eu não dei o lugar, que não tenho educação!

- “Quem” vão dizer? – o coroa ficou genuinamente curioso.

- Todo mundo, ué. Na internet!

- E você se importa com o que falam na internet? – agora ele achava graça.

- Claro! Só gente ingênua não se importa… até dar merda!

- Olha, acho que você está exagerando um pouco…

- Não estou não! – rebateu o menino nervoso e tentando se afastar do mais velho. – Já tô até vendo: a foto da gente e embaixo a legenda dizendo que as pessoas não têm educação, que não respeitam os mais velhos…

- Mas é só você dizer que não foi isso. – Retrucou o senhor, pensativo. – Você diz que eu não quis sentar e pronto. Acho que você está maluco…

- Maluco… maluco nada! Ninguém lê nada na internet, só a vê a foto e a chamada. Ninguém lê o texto. Ninguém pergunta, ninguém quer saber, ninguém averígua. Ninguém acha que pode estar errado. Eles olham, julgam e compartilham. Compartilham sem parar, sem saber!! – Ele estava cada vez mais nervoso.

- Calma!

- Já aconteceu comigo. Faz uns meses, eu tinha tido um dia infeliz, minha cachorrinha tinha ficado trancada em casa o dia todo, e quando eu saí pra levar ela pra passear… estava tão distraído que não catei o cocô dela na rua!! – contou desesperado.

O senhor deu uma risada gostosa.

- Meu filho… mas o que é que tem? Ninguém vai morrer porque esqueceu de catar o cocô do cachorro uma vez…!

- Ah, é? Mas acontece que me fotografaram. E me colocaram no Facebook falando do absurdo que eram as pessoas que não catam os lixos dos cachorros, e que isso estragava a cidade, era a culpa das enchentes e sei lá mais o quê! Logo eu! Logo eu que levo até o saquinho no bolso pra catar o cocô. Só porque estava triste e distraído, fiquei viral!

- Viral? – dessa vez o velho deu mesmo um passinho mais para longe.

- É, viral. Na internet. Em 2 dias tinha gente até em Singapura me xingando! Minha foto se espalhou que nem pólvora! As pessoas ADORAM uma denúncia. Adoram uma causa!

- Mas isso… mas isso… é maluquice!

- Exatamente! Mas é assim que as coisas são agora. E se você tenta explicar, só piora! Fui explicar que a minha avó tinha morrido naquele dia, e que por isso a cachorrinha tinha ficado trancada no apartamento o dia todo e eu estava distraído… e comecei a ser perseguido pelas entidades de defensores de animais!! Os defensores dos animais compartilharam minha foto tudo de novo, dizendo que eu maltratava a cadela! Tinha que ver os comentários das pessoas que nem me conheciam, me chamando de monstro! Logo eu, que até durmo com a cachorra na cama!

O coroa ficou pensativo.

- No final das contas – continuou o jovem – enviaram 30 quilos de cocô pra porta da minha casa. Em retaliação, pelo cocô que eu deixei na rua. Justiça, sabe? Hoje em dia a justiça é assim. Olha, moço, sei que deixar cocô na rua é errado, sei que errei, mas eu estava cheio de problema naquele dia. Não merecia tanta bosta no meu muro e nem ser tão xingado, e ter que ouvir os “bem feito!” que ouvi. Fiquei um tempão com medo de sair de casa e apanhar.

- Mas só uma pessoa muito sem noção, MUITO DESEQUILIBRADA compartilharia uma notícia sem saber bem sobre ela, sem ouvir os dois lados, sem esperar investigação, só pela foto!

- Minha mãe compartilhou – sussurrou o moleque cabisbaixo.

- Sua mãe?????

- É, ela não percebeu que era eu. Ela adora bicho, sabe. E é da Associação do Bairro Limpo… aí já viu. Ela não leu o texto, só leu a chamada dizendo que eu era um imundo, playboyzinho mimado, e que ainda por cima maltratava o cãozinho e não quis nem saber, compartilhou logo. Quando eu vi, dei uma bronca nela.

Os dois ficaram quietos por uns minutos, sob o peso da história.

- O senhor pode chegar pra lá agora, por favor?

- Olha, moço… me desculpa. Me desculpa mesmo. Mas não concordo com isso aí não, não concordo com esse tal povo do Facebook, acho isso tudo uma insanidade e não vou ser conivente com toda essa baboseira.

O rapaz ficou torcendo as mãos uns minutos, nervoso e pensando, até que enfim tirou um caderno da mochila, rabiscou algumas coisas nele e ficou segurando bem na sua frente, decidido.

“ELE NÃO QUER SENTAR PORQUE ESTÁ COM HEMORROIDA”, dizia a folha.

O senhor finalmente foi para o outro lado do vagão.

 

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