29 set 2014, 16h21

ENCONTRO CLUBE DE LEITURA

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Olha como meus amigos são lindooooos!!

Sim, meus amigos. Porque a coisa mais espetacular que me aconteceu, quando resolvi criar um grupo de leitura, foi conhecer essas pessoas. Já são mais amigas minhas do que muito amigo de longa data. Aquela coisa de comercial de cartão de crédito – não tem preço mesmo.

O livro do mês foi INVISÍVEL, de David Levithan (outro dele!), e você tem que escutar a bagunça divertida que fizemos para falar sobre ele! Falamos todos juntos de novo, xingamos, rimos e fizemos piadas :)

Já sabe – pega um cafezinho (ou um chá) e vem rir com a gente (mesmo se você não tiver lido).

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22 set 2014, 12h22

POBRES SUBSTITUTOS – A HISTÓRIA DO BROWNIE DE MENTIRA

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Eu não ia comprar sobremesa. Eu ia comprar um vinho e uma massa para o domingo à noite. E estava perfeitamente bem com isso – tenho reduzido naturalmente as sobremesas. Foi minha filha que achou o brownie – sem açúcar, sem lactose, sem glúten. Eu deveria ter ouvido sinais de alerta ali mesmo: uma menina de 14 anos deveria ficar entusiasmada com a ideia de comer sobremesa, não com a ideia de encontrar uma sobremesa light. Mas me deixei levar – por que não levar um substituto, um quebra galho?

Porque não. O brownie era uma merda. Era tudo, menos o que um brownie deveria ser. Não era doce na medida, não tinha a textura certa. Ele carecia de tudo que faz um brownie delicioso: faltava a alma, o espírito do brownie.

Fiquei pensando em como vivemos assim, procurando pobres substitutos para as coisas. Como aceitamos versões inferiores, menos “engordativas” de relacionamentos e prazeres. Melhor seria comer um pequeno pedaço (curtido, amado, saboreado) de um brownie de verdade, do que uma forma inteira daquele brownie fajuto.

A gente se engana – o que queremos retirar das coisas, normalmente é o que as faz tão boas. Tenho uma amiga que era loucamente apaixonada por esse cara, que ela achava totalmente incorreto para ela. Ele era inconsequente, estabanado e desorganizado. Seu oposto extremo. Então ela resolveu procurar um cara que fosse como ele, mas sem essas partes complicadas. E acabou com um pobre substituto – sim, o novo namorado era organizado e responsável. Só que chato. Acabou que tudo que para ela era inconveniente era o que o fazia ser como era.

Acho que procurar  substitutos é a forma como lidamos mal com o que não nos agrada. É nosso lado controlador. Ah, isso seria perfeito… se não fosse ESSA parte. E aí acabamos avacalhando justamente as partes que importam.  Seria melhor assumir uma postura – ter uma coisa por completo (e assumir as consequências boas e ruins disso) ou não ter logo de vez. Porque as versões paraguaias não nos satisfazem, só enganam. E ninguém quer viver uma vida de sensações de mentira.

Agora, aqui em casa só entram versões 100% originais – de amores, de açúcares e de todo o resto.

 

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15 set 2014, 11h51

CLUBE DE LEITURA – LIVRO DO MÊS

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Esse vai ser um mês curto de livro – nosso encontro será às 11h do dia 28/09 (tá logo ali na esquina!) no Café Severino, na Livraria Argumento do Leblon. Então escolhemos um livro que a maioria do pessoal do Clube já estava lendo ou queria ler (eu, inclusive): INVISÍVEL, De David Levithan.

Eu sei – se deixar, vamos ler livros do Levithan todo mês. Mas tudo bem fazer o que a gente gosta, né?

Nesse meio tempo em que eu ia colocar o post, já terminei de ler o livro – e já estou cheia de opiniões sobre ele (que não colocarei aqui, para não estragar).

Então vamos? Todos correndo para ler?

1, 2, 3… valendo!

 

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2 set 2014, 7h42

CLUBE DE LEITURA – ENCONTRO E AUDIOBLOG

Nosso encontro desse mês foi DEMAIS (ok, eu sempre falo isso, mas é que é sempre tão booooom!). Mas esse mês foi especial – cada um falando sobre o livro que tinha lido, todos trocando sugestões e indicações… foi mesmo único.

Estávamos a gang de sempre (quase todos) e ainda recebemos uma pessoa nova, a Camila (bem-vinda!). O dia estava lindo, o bolo de laranja do Café Severino (Livraria Argumento do Leblon) estava fofinho como sempre, e nem sentimos a hora e as xícaras de café passarem.

Não vou escrever muito – escute o áudio (não fique de preguiça, pois está divertido. Se não der pra ouvir agora, não esqueça de guardar pra depois). Nesse mês ele está mais comprido (não se esqueça de pegar um chá ou equivalente para nos ouvir), mas está MUITO melhor: o áudio em si está mais claro e ordenado; conseguimos ouvir mais todos. Temos, claro, os palavrões e risadas de sempre. Mas esse é o nosso tempero.

Falamos de muitos livros, entre eles It, Seu Coração me Pertence, O Oceano no Fim do Caminho, A Casa do Mal, Se Eu Ficar e o Homem Duplicado. Eu faço a introdução e depois sou a última a falar do meu livro.

Falamos também de sentimentos e impressões, bobagens e tudo mais que coube.

Vem com a gente!
(curta, compartilhe e comente – a gente quer saber de você!)

PS: a Priscilla não pôde ir, mas pediu para mandar a opinião dela, o Garota SubmersaAchei o livro difícil de ler, mas imagino que seja difícil mesmo estar na cabeça de alguém que sabe que está/vai ficar louca… A história é muito interessante, com muitas idas e vindas, histórias dentro de histórias… Confuso… Mas acho que a confusão é proposital já que nem a Imp sabe o que é real e o que não é na vida dela… Nota: 8,5!

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28 ago 2014, 17h36

A ARTE DE PEDIR E A PROCURA DA ROUPA

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Parte do título desse post também é o título do livro de Amanda Palmer a ser lançado e que quero muito ler, e que tem tudo a ver com o que me aconteceu (conhece? É musicista e esposa do Neil Gaiman. Ela é ousada e inteligente, e eu a adoro – mesmo ela não raspando o sovaco rs).

Ontem, depois de semanas em remissão (vou usar essa palavra porque a gripe foi devastadora) e de me sentir fraca, voltei à minha amada Yoga. Para encurtar a história: a Yoga foi ótima, me senti muito bem, revi pessoas queridas e me apaixonei pelo MACACÃO que a dona do studio usava. Ela é minha amiga e estava vestindo o macacão preto mais lindo que já vi na vida. Já há algum tempo não me empolgo tanto com uma roupa – tenho comprado roupas porque preciso (preciso de um casaco assim, preciso de um sapato para ir a tal lugar, uma roupa para usar em tal evento), mas não sou fulminada de amor por nada assim há séculos.

Pois bem. Perguntei onde ela tinha comprado e, fazendo uma coisa que talvez não faça desde os 16 anos, fui empolgada, ontem mesmo, até a loja mais próxima procurar por ele. E ele estava esgotado.

Mandei uma mensagem tristonha para o B na hora, porque ele sabia que eu tinha saído só para isso e que estava doida pelo macacão, avisando que não tinha dado certo. E ele ficou morrendo de pena, porque sabe que não sou dessas coisas e se queria tanto assim a roupa, deveria ser importante. Até tentou me consolar com chocolate (ontem, não rolou. rs)

Depois, fiz menção a tudo isso no meu Face particular. Era só um desabafo sem pretensão, algo para resmungar. E aí aconteceu a coisa que me surpreendeu e que me fez lembrar da Amanda Palmer: todo mundo começou a ajudar.

Eu não estava com um “problema” sério, real, não precisava de doações para alguma causa social, não era uma corrente com bicho perdido (coisas que as pessoas altruisticamente ajudam mesmo). Era só uma bobagem. Só uma insatisfação. Eu nem tinha efetivamente pedido ajuda para nada.

Entretanto, imediatamente uma amiga veio em meu auxílio sugerindo comprar pelo site; outra sugeriu uma loja online que vendia a marca; outra se prontificou a procurar nas lojas de São Paulo, outra nas lojas de Brasília, uma entrou em um fórum de venda da marca, para ver se achava a peça. E, por fim, a dona do macacão se ofereceu para me emprestá-lo, para que eu não ficasse triste. Quando percebi, tinha começado uma mobilização por mim.

Talvez algum crítico ou cético nesse momento torça o nariz: as pessoas se importam com coisas sem importância e não ajudam no que realmente precisa ser ajudado. Que coisa fútil e idiota, tanta comoção por causa disso. Mas não é assim. A busca pelo macacão realmente não é importante (mentira – era sim. rs). Acontece que as pessoas não tiveram toda essa preocupação e abnegação por causa de uma roupa. Elas fizeram POR MIM. Porque era uma coisa que tinha me deixado chateada. Porque às vezes coisas bobas são importantes também, oras!

Você diria que eu tenho ótimos amigos e, ei, não posso me queixar. Atraio todo o tipo de pessoas singulares e formidáveis. Acho que quando chegar no final da minha vida e fizer um balanço, vou me sentir bem sucedida – porque passou gente que não vale o que o gato enterra na minha história, mas, ó, como passa gente que vale à pena! Gente que às vezes nem conheço bem. Ou que só conheço virtualmente. Lembro-me quando sofri um assalto dentro de casa há uns 5 ou 6 anos, e recebi solidariedade de lugares de onde nem esperava. Uma leitora na época ofereceu-me sua casa de praia para termos um lugar onde ficar (depois ficamos mais amigas e nos conhecemos pessoalmente. E nunca vou esquecer disso, Andréa. Mas na época foi surpreendente, pois só nos falávamos online). Viu? Não era só uma roupa boba. A preocupação veio de toda a parte. De gente que mal me conhecia.

Aí entra a história da Amanda Palmer – ela teve um problema com seu selo e não conseguia produzir seu disco (cd?) como queria. Resolveu dar um pé na bunda da gravadora e teve uma ideia inovadora – PEDIR AJUDA ÀS PESSOAS. Ela criou um fundraiser (um projeto onde as pessoas podem financiar uma ideia), para lançar seu álbum. E não é que deu certo? Amanda ficou tão impressionada de ter arrecadado fundos para produzir sua música, que acabou indo falar em um TED Talks sobre a experiência e sendo convidada a escrever esse livro sobre isso – sobre a arte de pedir e confiar nas pessoas para te ajudarem. E como as pessoas correspondem à altura.

Por isso me identifiquei com ela. Somos tão bobos e preocupados em não mostrar certas fragilidades, em não pedir ajuda. Fazemos tanto esforço para não aceitar nada, principalmente de quase estranhos. Passamos tanto tempo provando que somos auto-suficientes, que sabemos tudo. Quando no fundo todos à nossa volta são sempre tão prontos a ajudar. Pedir não nos diminui. Aceitar não nos enfraquece.

Sei que ontem e hoje fiquei tão satisfeita, tão positivamente surpresa com tanta atenção que recebi! De pessoas que sei que me querem bem, claro, mas de outras de quem nunca esperaria preocupação comigo. Ainda mais uma questão íntima que para muitos não pareceria relevante. E isso foi incrível e revelador. Eu te digo que a roupa em si perdeu até um pouco da importância, de tão bem que receber esse afago espontâneo me fez.

Tou contigo, Amanda. As pessoas podem ser surpreendentes e maravilhosas.

PS: enquanto terminava esse texto, a amiga de Santos (que já tinha encontrado o macacão em SP e pedido a outra amiga em comum para ir buscá-lo na loja e enviar aqui pro Rio), encontrou-o para venda online. E o macacão foi devidamente comprado – vou esperar feliz e ansiosa sua chegada. Mas alguém duvida que agora ele vai ser muito mais precioso para mim?

 

 

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26 ago 2014, 10h29

ENCONTRO – CLUBE DE LEITURA

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Mas que demorou muito!! Já estava dando crise de abstinência!

Será nesse DOMINGO, dia 31, às 11 da amanhã, no Café Severino (Livraria Argumento do Leblon), nosso encontro.

Esse vai ser o máximo: temos TROCENTOS livros para falar sobre e recomendar – preparem os ouvidos, pois vai rolar o AUDIOBLOG mais maneiro de todos (rs).

E depois, as usual, tem post contando tudo, do encontro e dos livros.

 

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22 ago 2014, 11h47

A FAXINA

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Ficou horas no salão. Foi puxada, esticada, empurrada daqui para ali. Foi lavada, escovada, polida em todos os detalhes.

E a cada minuto que passava, cada pedacinho de cabelo que caía, cada pele morta que era retirada, cada cantinho dentro dela também era esfregado. Ficou horas sendo faxinada de fora para dentro. Sendo massageada, na cabeça e no ego.

Saiu de lá renovada. Incrível. Sem pontas duplas, unhas lascadas, neuroses ou inseguranças. Saiu de lá sua melhor versão.

Torcendo pro esmalte e a invencibilidade durarem pelo menos até a próxima semana.

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20 ago 2014, 14h48

QUANDO ALGUMA COISA FOR REALMENTE ENGRAÇADA, VOCÊ VAI VOLTAR A RIR

Tá, o post de ontem foi realmente down. Então eu resolvi voltar pra contar que, quando a gente menos espera, volta a rir de novo.
Assim, de supetão. Acontece alguma coisa realmente engraçada, boba, e quando você percebe, está rindo de doer a barriga. Essa alternância de emoções não é o máximo? Essa coisa da vida de tudo não ser nem eternamente bom e nem ruim?

Lembrei dessa cena de Sex and the City – quando alguma coisa for realmente engraçada, você vai rir de novo. Sem aviso, como mágica.
E que fique registrado – ontem mesmo eu gargalhei :)
 

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19 ago 2014, 15h58

O QUE MUDA, QUANDO SE SENTE DOR

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Essa é uma parte muito pessoal da minha vida.  Minha mãe sofreu de enxaquecas graves e frequentes durante boa parte dela. Principalmente durante minha puberdade/adolescência. Ou seja, sempre convivi com a doença crônica.

Meus pais eram separados e meu irmão muito novo, então quem passou noites e dias em hospitais com ela, internada, fui eu. Já contei em algum lugar que foi nessa época em que virei leitora voraz – devorava livros e mais livros de madrugada, sentada no chão do banheiro dos hospitais, para a claridade não incomodá-la. Mas mesmo tendo visto o desespero que é ter uma dor crônica, insuportável, de ter visto a depressão que causa, a impotência, o desespero de não melhorar, eu não entendia verdadeiramente. Eu só achava que entendia. Até ontem.

Duas semanas doente. Melhorando e piorando, com febrões, tosse, secreção… até culminar em uma enxaqueca. Dois dias e ela lá, batendo ponto. Sem passar. Sem ceder. Sem dar trégua. Dois dias de incapacidade, de cama, de ver todos na rua, se divertindo. Eu nunca tinha ficado assim antes. Sim, tive uma hepatite quando garota e fiquei meses deitada, mal até dizer chega… e nem nessa época eu sofri tanto. Porque eu não sentia dor. Sentir dor por tanto tempo, desse jeito, me deu uma sacudida. Como é que as pessoas aguentam? Como sobrevivem a dias, meses de dor? Eu as admiro.

Nós lemos esses livros e vemos esses filmes sobre pessoas e suas histórias de câncer e tudo nos parece tão heroico, todos são tão estoicos e positivos… e não é nada assim! A verdade da dor e da doença não é bonita. Sentir dor é uma merda, e historinha nenhuma mais vai me enganar a respeito disso. Porque estar doente e sentir dor humilha, tira tudo de você. Te quebra. Essa ideia glamourizada da dor é até pior, porque te faz sentir fraco, achar que deveria estar aguentando melhor do que está. Que você deveria ter uma atitude mais positiva a respeito daquele momento. Que deveria ser forte.

E quando a gente não é?

Porque tem horas que parece que não vai passar nunca. Que não existe amanhã. Você começa a ter uma série de pensamentos e desejos funestos que nunca pensou que fosse capaz de ter. E quando você está lá, naquele estado, não existe nada de bom e positivo que se possa tirar disso. E isso me desespera – não conseguir pensar em um lado positivo de alguma coisa!

Eu nunca tinha entendido tanto a minha mãe quanto ontem. Nunca tive tanto remorso, porque achei que podia ter feito mais por ela, em suas dores. Podia ter entendido mais, ter tido mais paciência, ter dado mais apoio.

Liguei para ela aos prantos, no meio de uma dor excruciante e que só aumentava, pra pedir desculpas. Pra dizer que eu entendia.

Precisei passar por isso pra ter realmente compaixão por aquele sentimento de solidão e estar perdido, que a dor nos causa. Nunca vou olhar para um doente com a mesma indiferença e distância. Talvez essa seja a coisa boa, afinal de contas.

 

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13 ago 2014, 10h08

A RÉGUA

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Descobri o vilão de quase todos os conflitos do mundo – do religioso, político, social, ideológico, até o pessoal e sexual. A culpa é da RÉGUA.

Li recentemente um artigo, de uma sexóloga, sendo taxativa sobre como VOCÊ não deveria ter ciúmes da vida sexual do seu parceiro. Não vou entrar no mérito dessa discussão, se é certo ou errado, porque o ponto é exatamente esse: quem é que decide o que é bom para todos?

É a nossa maldita régua interior.

Temos a tendência de medir todos pela nossa régua. Pelos nossos valores, pelas nossas verdades absolutas, pelas nossas MEDIDAS e TAMANHOS. E, macacos me mordam, como é difícil convencer alguém de que a medida dele não é a única certa! Mesmo os que tentam ser flexíveis; no fundo todos têm seus dogmas imutáveis.

No caso do texto sobre sexo, o determinismo todo era uma bobagem. Será que depois de milênios de civilização ainda não paramos de tentar enquadrar o que é “certo” e “errado” em relacionamentos? Será que ainda não entendemos que, para quase tudo, o que funciona é o que funciona PARA NÓS? Que carência absurda essa que o ser humano tem de querer se enquadrar de qualquer forma, de estar do lado do normal, da “régua padrão”.

Quer ter ciúmes? Ora, tenha! Vários casais são monogâmicos e exclusivistas, e se todos estão felizes e satisfeitos assim, bem, que bom para eles! Outros (e eu conheço alguns), combinaram que podem fazer o que quiserem fora de casa, só não querem saber. E se ambas as partes combinaram isso antes, e não têm ressacas morais, olha que beleza. Há ainda os casais que funcionam muito bem tendo outros parceiros (conhecidos do outro, inclusive). Nosso primeiro impulso aqui é julgar qual o modelo mais “certo” – mas a verdade é que o modelo certo é aquele que funciona para ambas as partes. Que não traz conflito. É o famoso COMBINADO NÃO SAI CARO. Só desanda quando cada parte têm uma expectativa diferente, ou quando uma das duas quebra o acordo pré-estabelecido. E ponto.

Mas voltando à régua. Usamos para medir relacionamentos e usamos para todo o resto. Olhamos as coisas a partir da nossa experiência, a partir de nossos referenciais e assim é que mensuramos.

Normalmente não temos paciência com quem não consegue fazer alguma coisa que para nós é fácil. Se temos força de vontade ou determinação, não entendemos ou temos compaixão com quem não tem. Olhamos os gostos alheios, os sofrimentos vizinhos e às vezes eles nos parecem banais – porque estamos avaliando-os com a nossa régua. E talvez nossos centímetros sejam mais generosos conosco, nessas questões.

É com essa régua que damos a medida se uma coisa é certa ou errada, fácil ou difícil. Nem preciso dizer que o imbróglio todo se dá justamente porque cada um tem sua régua particular.

Quando você suspira e pensa “Fulano é tão estúpido! Será que não está vendo que…?” – você está usando sua régua. Porque com ela você avalia que é simples ver ou resolver uma situação.  Cada vez que você brada “Mas é um absurdo que alguém faça tal coisa, tome tal atitude”, é a sua régua, falando com a sua voz.

Quando esperamos certas atitudes dos outros e nos frustramos, quem nos frustrou foi a terrível régua, que criou expectativas não com base na realidade do outro, mas com base nas SUAS medidas.

É muito difícil analisar qualquer tema e situação de forma imparcial e neutra, tirando sua régua do meio, essa tirana. Sim, eu sei. A régua te domina, porque está constantemente TE medindo, “e se ela pode me medir todo o tempo, porque não poderia medir os outros da mesma forma cortante?”

Poder, pode. Mas a régua é como um aplicativo com defeito. Ela não reseta, quando vai avaliar o outro. Ela não zera antes. Ela usa seus dados como comparação, de forma viciada, over and over. Então, a pessoa nem tem chance, pra começo de conversa. Porque o ponto de partida é você.

Todos os conflitos vêm disso – não aceitamos outras réguas. Ou melhor, não aceitamos que outros tenham medições diferentes. Porque seria mais simples – o caso não é concordar em tudo (isso seria muito chato!), mas aceitar o fato de que as pessoas vão concordar em discordar. E tudo bem. Uma régua é Faber Castell, a outra é Compactor. Fazer guerra porque a minha régua é cristã e a outra é muçulmana, por exemplo, é o que mata (literalmente).

São elas, as danadas das réguas, que nos ajudam a dimensionar as coisas, então não dá para viver sem elas. Só não podemos viver em função delas, nos dizendo como avaliar quem está em volta. Temos que saber nos refrear ao julgar, ponderar quem está medindo: nós ou ela. E temos que ter cuidado, porque elas dão defeito também: nos enganam, medindo imensidões onde existem pequenos espaços limitados, e às vezes ignorando o tamanho de coisas realmente gigantescas.

Quanto à minha régua, afirmo que eu sou a parte rebelde do texto da sexóloga - aquela que é romântica e tem ciúmes sexuais do parceiro. E que se ele bobear nisso, eu quebro a régua na cabeça dele.

 

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