21 mai 2016, 13h42

QUANDO SÓ UM ASSUNTO NÃO BASTA

belo

Comer, trabalhar, malhar, dormir. Comer, trabalhar, malhar, dormir. Comer, trabal…  Ad Infinitum.

A vida precisa ser mais do que isso – e é. Só que nem todo mundo consegue enxergar. Por preguiça, cansaço, cegueira, acomodação, medo ou simplesmente azar mesmo. Quando a gente percebe, está há anos só existindo, ao invés de viver. Só sendo basal. E aí um belo dia acorda deprimido. Acorda ansioso. Acorda com um vazio e não sabe o que é, de onde vem. Vem daí, do buraco. Esse, que você deixou crescer dentro do peito.

Ou então você não está deprimido, mas está monotemático. Desinteressante – porque só se interessa por um assunto, só sabe de um assunto, só escuta, vê, lê, fala de um assunto. E nem é porque goste muito dele. Ou seja bom nisso. Não. É só que é mais fácil e seguro existir assim – monocentrado. Unilateralmente. Dominando pelo menos alguma coisa que seja.

Mas acontece que nós, terráqueos (como gosta de chamar o Padre Fábio de Mello), precisamos de arte pra viver, pra respirar. Precisamos de cultura. E não é arte de museu – é arte e beleza no dia a dia. Precisamos criar e precisamos nos cercar de beleza, para fazer sentido.

E se você acha que não tem talento, não é criativo, produzir arte e/ou beleza é mais abrangente do que você imagina – é cozinhar (por prazer, tá?), tricotar, costurar, escrever, tocar um instrumento, cantar, dançar, fazer palavras-cruzadas, estudar um idioma (sem ser por obrigação) ou qualquer outra coisa, pintar, ler (não  vale aquela leitura de jornal, que é boa, mas pra outra coisa), assistir um filme diferente daqueles que você tá acostumado (sim, tou falando daqueles estrangeiros obscuros), fotografar, desenhar, fazer penteados… tanta, tanta coisa. Tanta coisa que nos separa dos outros seres que só sobrevivem. Que não sabem o que é xadrez ou música ou a Capela Sistina.

Essas são as coisas que nos preenchem, que nos estimulam. Que fazem o cérebro continuar motivado. Estudos comprovam (e eu odeio essa frase) que isso tudo combate as doenças neurológicas degenerativas. Que aumenta a expectativa de vida. Que gera felicidade mesmo. Que nos faz ter também o que acrescentar aos que convivem conosco.

E mesmo quando não estamos produzindo arte – cercar-nos do belo faz bem à alma. O belo também estimula. E é por isso que os inteligentes procuram o belo nas pequenas coisas. O belo no dia a dia, nas pequenas perfeições. É por isso que aplicativos como o Pinterest fazem tanto sucesso – porque é uma forma de colecionar belezas, mesmo sem tê-las. De observar o que é bonito ou estético diariamente, continuamente. É a oportunidade de se alimentar disso, de se recarregar.

É hora, então, de se reavaliar; de se perguntar se está vivendo ou só existindo.

Porque não dá pra ser feliz se contentando em ser medíocre, em ser pouco, em ser “só”. Não nos aproxima dos outros. E pior – não nos aproxima de nós mesmos.

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21 mai 2016, 10h32

É AMANHÃ! – ENCONTRO DO CLUBE DE LEITURA

gastro

 

É amanhã! Olha que delícia, olha que gostosura! Dominguinho nublado, cafeteria, bolo quentinho e papo bom.

Sei que você se animou.

Dessa vez vamos nos encontrar aqui:

paneterie

 

PANETERIE – Condomínio Bluecenter – Av. das Américas, 12300 – 121 Barra/Recreio.

Às 11h, como sempre.

O livro? Aquele legal (opa, estou me adiantando!) que lemos esse mês. E todos os outros que quisermos!

temporada

 

Prontos?

 

13 mai 2016, 13h30

PROCURANDO O BATOM PERFEITO (E OUTRAS METÁFORAS DE PLENITUDE)

batom2

Estamos todos sempre Chasing Amy.

E se você não entendeu a referência, faça uma anotação mental para procurar o filme no Netflix ou coisa que valha – Procura-se Amy é um filme dos anos 90 que fala resumidamente sobre procurar sempre um modelo ideal em todas as nossas buscas. No filme, um dos personagens conta essa história: como o cara deixa escapar Amy (seu amor idealizado), e depois passa o resto da vida procurando Amy em todas as suas relações, e em todas as mulheres.

Para mim, essa busca, essa obsessão é uma constante. Como procurar a peça do quebra-cabeças que falta para que alguma coisa dentro de nós faça sentido. Estava no meu grupo de amigas de Whatsapp e conversávamos sobre batom e a busca do batom perfeito. Horas de conversa. Centenas de mensagens e dicas. E veja – eu mal uso batom. Mas estou sempre procurando o batom perfeito. É quase um fetiche; o batom ideal é aquele batom mítico que vai ser só seu e te representar 100% – com ele você sempre vai estar linda e pronta. Vai ser o batom que te completa.

No meu caso, a busca eterna é pelo batom nude e pelo vestido branco. Estou sempre atrás do batom ideal e do vestido branco perfeito, como se fossem o Santo Graal. Já tive mil vestidos brancos, mas nunca encontrei o vestido branco da minha vida. Aquele que poderei usar todos os dias e parecer sempre recém-saída de uma capa de revista. Aquele que vai dar sentido a tudo, porque vai me deixar plenamente confortável comigo mesma. Dentro da minha pele.

Não é curioso? Essa busca quixotesca por algo que nos reafirme? Para alguns é o jeans de caimento mágico, o batom vermelho idealizado, o cafezinho primoroso – não importa, é tudo metáfora de busca de plenitude. O que importa é o processo, não o fim. São esses detalhes que compõe tão lindamento o nosso todo. Que nos dão acabamento.

E quando a busca cessa, quando finalmente encontramos algumas de nossas projeções, que alívio. Que satisfação. Enquanto durar – porque batons, e roupas, e cafés, e lençóis (e o que mais você inventar) acabam.

Mas estou convencida que se acabam de propósito, os danados – só para continuar nos movendo em direção a novos desejos.

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27 abr 2016, 16h24

LIVRO DO MÊS

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Último encontro foi bem no meio do feriado – eu tinha ido a uma festa no dia anterior, e quase não consigo acordar noa hora. Mas ô se valeu o esforço! O Cafeína de Ipanema nos recebeu SUPER bem – o espaço é muito friendly para sentar e papear, ou se você quiser tomar uma xícara de café enquanto lê. Recomendo o segundo andar, onde ficamos, para ter mais privacidade e fugir da badalação (tem bastante gringo por lá). A comida também é muito boa – não é baratinha, mas achei o preço justo (um combo com suco de laranja, bebida quente, baguete e frios saiu por R$24).

Eu não tinha lido o livro, Navegue a Lágrima, e esse foi uma daqueles encontros em que me arrependi disso – quase todos gostaram bastante da história. Fiquei tão arrependida, que trouxe ele emprestado para ler, mesmo já tendo ouvido todos os spoilers. Mas a descrição do pessoal falando sobre o lugar idílico, as lembranças e tudo mais me tentaram demais.

A coisa boa? É que já temos DATA, LUGAR E LIVRO escolhidos para o próximo mês. Rá. Eita eficiência, hein! (pra variar um pouco hahaha)

Será dia 22 de maio, às 11h, no Paneterie do Recreio (http://www.paneterie.com.br/), e leremos…

temporada

Guardem as facas, protejam as quinas dos móveis, não mexam com fogo.
A temporada de acidentes vai começar.
Acontece todo ano, na mesma época. Todo mês de outubro, inexplicavelmente, Cara e sua família se tornam vulneráveis a acidentes. Algumas vezes, são apenas cortes e arranhões. Em outras, acontecem coisas horríveis, como quando o pai e o tio dela morreram. A temporada de acidentes é um medo e uma obsessão. Faz parte da vida de Cara desde que ela se entende por gente. E esta promete ser uma das piores.
No meio de tudo, ainda há segredos de família e verdades dolorosas, que Cara está prestes a descobrir. Neste outubro, ela vai se apaixonar perdidamente e mergulhar fundo na origem sombria da temporada de acidentes. Por que, afinal, sua família foi amaldiçoada? E por que não conseguem se livrar desse mal?
Uma narrativa sombria, melancólica e intensa sobre uma família que precisa lidar com seus segredos e medos antes que eles a destruam.

Eu que escolhi o livro desse mês – espero que tenha acertado. Mas achei a história bem diferente e instigante. Vamos ler juntos?

 

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19 abr 2016, 17h22

VAI TER CLUBE DE LEITURA SIM!

gastro

Tá bom, tá em cima. Já tinha data e livro definidos desde o último encontro (que não me dignei a colocar aqui como foi, porque sou uma escritora relapsa e que anda trabalhando dobrado. E porque o encontro foi ótimo como sempre. Mas me deu algum bloqueio, sei lá. Saca bloqueio de escritor? Eu tenho esses, e bloqueios do clube também).

O livro que leremos dessa vez vai ser (está sendo) Navegue a Lágrima:

navegue

Uma casa de praia, num idílico balneário no Uruguai, é o cenário de duas histórias de amor e perdas, separadas no tempo.

Consumida pelo luto, a editora Heloísa escolhe se afastar da cidade onde morava e levar uma vida de isolamento na residência de veraneio que pertenceu a Laura Berman, uma escritora consagrada.

Entre muitos drinques, cercada de pertences e memórias dos antigos moradores, Heloísa começa a ser visitada pelas lembranças guardadas entre aquelas quatro paredes: a correria de crianças, dias de sol preguiçosamente passados à beira da piscina, o romance terno de Laura e seu marido Leon. Se é delírio ou magia, a nova moradora não consegue distinguir. Aos poucos, enquanto revira baús, ela mergulha no universo conflituoso da escritora, descobre pequenas traições cotidianas e o inexorável desgaste realizado pela passagem do tempo nas relações mais sólidas. Essa compreensão permite que, lentamente, Heloísa consiga enfrentar seus próprios fantasmas e desvelar a história de uma grande paixão.

O encontro será AGORA, dia 21 (no feriado!), às 11h, no Cafeína de Ipanema (Rua Farme de Amoedo, 43). 

Eu prometo-prometidinho que voltarei com os textos, as crônicas de sexta e muito mais – é só uma fase. Fase “trabalho demais -bode da vida- bloqueio de escritor”. Mas já já passa.

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18 mar 2016, 14h22

CLUBE DE LEITURA – CIRCUITO GASTROLIVROS ENCONTRO

gastro

Primeiro encontro em novo formato chegando, uhúúú!

Peeps, para começar a rodar a cidade em busca de bons café onde também é gostoso ler, vamos nos encontrar no café La Bicyclette, dentro do Jardim Botânico. Quer coisa mais idílica? Mais inspiradora?

bicy

Bom, o café, como a maioria dos cafés para os quais liguei, não faz reserva (principalmente aos domingos), então nós vamos chegar lá às 11h desse próximo domingo, dia 20/03, para tentar mesa – essa avaliação de como os lugares recebem os grupos de leitura também vai entrar em questão no circuito!

Livros do mês lidos, todos prontos?

Tomara que esteja sol! Nós vemos lá! (e depois aqui também)

(veja o cardápio e o endereço direitinho nesse link do site AQUI)

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4 mar 2016, 12h24

O MEU É INTENSO E COM AÇÚCAR, POR FAVOR

sugar

Eu vou sair por aí.
Vou andar na chuva fraca, aquele morna, que faz a grama cheirar. Deixar ela me umedecer, que chuva fraca nem molha, só transpira.

Vou botar uma colher a mais de açúcar no café, pra ele vir melado; doce, doce, doce de ficar enjoado. Só pra poder beber água gelada aos goles depois, e sentir refrescar o paladar.

E vou abrir a janela do carro, na hora que ele acelerar.
Pro vento entrar me descabelando, levantando os papéis no console, zumbindo e bagunçando.

Vou soltar disfarçado o botão do sutiã no elevador, mesmo antes de chegar.
E, por que não, vou sair sem calcinha, que é pra não me apertar.

Vou pedir extra – cobertura extra, gelo extra, molho extra, guardanapo extra, beijo extra. Que beijo não pode faltar.
Vou pedir caprichado – “ô amigo! Capricha aê...”
E vou pedir “chorinho”, porque o chorinho e a saideira são pra finalizar.

Vou tirar do forno, e mandar fritar.
Vou pedir azeitona a mais na minha empada.

Vou correr pra abraçar. E quando abraçar, vou me pendurar.
E quando eu beijar, eu vou melar.
Quem é que quer beijo seco, de lixa, na bochecha?

Vou pedir pra tatuar, pra marcar, pra não apagar.
Que é pra lembrar, pra registrar, pra enfeitar.

Vou chorar de soluçar, até a garganta doer e o olho inchar.
Até o choro virar risada, ou virar sono.
Vou chorar de dentro, de fundo, de vontade.
Que é pra liberar.

Vou matar aula, matar tempo, matar o tédio.
Vou matar de saudade, matar de medo, matar de amor.

E não vou levar a sério.
Nem a você, nem a mim, nem a nada.
Que sério dá ruga. Que sério dá mágoa.

Vou assobiar, mesmo ruim;  vou cheirar pólen pra espirrar.
Muito.
Em sequência.

Vou vadiar.
Sozinha ou acompanhada, escondido e sem culpa.
Dar gargalhada com velharia, me espantar com novidade, me deslumbrar com o desconhecido.

E vou fazer tudo logo.
Tudo rápido.
Tudo agora.

Que o agora vira ontem.
Passa num pisco.
Passa num suspiro.

E já que a vida é mesmo curta, então é melhor brincar pelada.

 

(texto meu publicado em 2011, no blog antigo. Nada mudou, essa ainda sou eu)

3 mar 2016, 14h13

ÚLTIMO ENCONTRO DO CLUBE DE LEITURA E NOVIDADES À VISTA!

Eu sei que estou atrasada no último com essa publicação – não tem desculpa, o último encontro do clube foi em fevereiro e foi ótimo, como sempre. Eu é que não andei ótima (como você viram pela minha última crônica). Sem falar que ainda amarguei uma puxada de tapete no trabalho na última semana que… bom, águas passadas. Hoje o cheiro aqui é de novidade, café fresco, chuvinha e muita revitalização!

Esse mês, o de março, é o do meu aniversário: sua amiga escritora vai fazer 40! (abafa! Eu negarei, se alguém comentar a respeito), então muita coisa está mudando em mim. Por dentro e por fora. Vários ciclos estão se encerrando e novos ciclos (maravilhosos) estão começando – acredito pacas nisso.

Mas vamos ao último encontro primeiro:

livro

Não vamos falar do livro lido (sim, porque ninguém que foi ao encontro leu, hahahaha. Mas pareceu bem legal. Eu ainda estava envolvida demais com o livro das bruxas, que aliás estou enrolando para terminar porque gostei muito e não quero que acabe). Vamos falar sobre o(s) próximo(s) livro(s) escolhido(rs), porque isso sim vai causar comoção!

Quem acompanha o clube desde sempre sabe que TODO DIA do David Levithan despertou emoções – TODOS (ok quase todos) amaram o livro. Foi tipo nosso livro do ano. E agora… temos a continuação dele em mãos! É a visão de Rhiannon em OUTRO DIA.

E há tempos que pedem por aqui para lermos Jojo Moyes – então também escolhemos, como segunda opção, uma outra continuação – DEPOIS DE VOCÊ, continuação de COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ, que está chegando aos cinemas.

Ótima oportunidade – para continuar histórias amadas, para quem leu os primeiros, e para descobrir esses livros maravilhosos, para quem não os leu ainda.

Bom, sobre o próximo encontro, uma NOVIDADE – lembra que falei de recomeços, revitalização, novos ciclos e blábláblá lá no começo? Pois então. Ano passado fizemos todos os nossos encontros nas Livrarias Argumentos, nossa parceira. Mas pra 2016 tive uma ideia diferente: por que não unir as duas coisas que amamos (livros e lugares deliciosos para lê-los tomando um café)?

E foi assim que surgiu o…

gastro

… CIRCUITO GASTROLIVROS do clube de leitura!

Não, não serão livros de gastronomia (rárá), e sim um circuito que une gastronomia e livros!

Durante esse ano, a cada mês iremos a uma lugar bacana aqui no Rio que seja gostoso de sentar, ler um livro, bater papo… e comer, lógico! Uma oportunidade incrível de levar nosso clube pela cidade, enquanto conhecemos e experimentamos cafés/restôs novos.

Nosso PRÓXIMO ENCONTRO será dia 20 de março (separa o dia aê), e semana que vem confirmo o lugar certinho.

E aí, você com a gente nessa nova farra? Mesmo se for virtualmente?

Aposto que vem :)

 

 

 

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24 fev 2016, 14h53

SOBRE ANSIEDADE

ansiedade

Tenho um transtorno de ansiedade sério, que embora não seja uma coisa sobre a qual fale o tempo todo, não me causa mais vergonha admitir – chama-se Síndrome do Pânico (já mencionei por aqui). E tenho o maior orgulho de nunca ter tomado remédio tarjado para controlar (nada contra quem toma, acho mais é que tem que tomar mesmo e procurar ajuda). Mas tenho uma puta satisfação pessoal de ter desenvolvido ferramentas internas pra lidar com as crises.
O que eu faço?

Tudo. Faço Yoga sozinha, estudo francês (ou qualquer outra obsessão do momento), leio compulsivamente, escrevo até os dedos sangrarem (mesmo sem mostrar os textos pros outros), eu abraço e cheiro meus caninos, faço sexo, faço maratona de séries, eu cozinho (ou faço chá, ou torrões de açúcar, ou qualquer outra bobagem)…
Invento literalmente qualquer coisa pra ocupar minha mente e meu coração de forma a não sobrar espaço pra ansiedade, pra taquicardia, pro medo de morrer ou passar mal, pra angústia de multidão.
Às vezes sou bem sucedida, às vezes não.

E por que falar sobre isso agora?
Pra me lembrar. Pra me lembrar disso tudo, nesses dias em que acordo com uma vontade louca de beber, fumar, cheirar, tomar qualquer coisa na veia pra ficar anestesiada e fazer a angústia passar (e justamente me lembrar também porque NUNCA faço nada disso). E porque falar sobre isso me acalma, me faz sentir menos sozinha e também me lembra que vai ficar tudo bem.

Vou ali fazer bolo.

 

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5 fev 2016, 11h07

TAMO JUNTO

junto

Se existe algo de belo e significativo que nossa língua e cultura produziram, foi o ‘tamo junto’.

Essa expressão conota um sentimento de empatia profundo, em duas palavras. De forma curta e significativa. Intraduzível para outras línguas, como a ‘saudade’. ‘We are together’, ‘nous sommes ensemble’… nada disso faz sentido como o ‘tamo junto’.
E não me importa se é usado de forma leviana e falsa por vezes; quando dito com intenção, é a conexão absoluta entre duas pessoas. É o entendimento total do outro, naquele momento. É a expressão máxima de lealdade. É quase uma versão simplista do “na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença”.

Não sei quem o inventou, provavelmente um carioca (não estou puxando sardinha para o meu lado – é só que a expressão transborda uma malemolência típica dessas bandas). Mas poderia ter sido qualquer brasileiro – se somos um povo jovem, carente de educação e tantas coisas, pelo menos nos sobra solidariedade.

Tamo junto? Já é.

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